segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Dionísio

 

DIONÍSIO

Elvécio Eustáquio da Silva

Dionísio é uma pequena cidade do interior de Minas. Sobre sua origem há uma lenda que difere de muitas outras sagas de origem, geralmente de cunho místico devocional.

Segundo uma passagem de um livro sobre a cidade de São Domingos do Prata (referência mais abaixo), há uma narrativa popular sobre dois jovens, iniciada na antiga Vila Rica (Ouro Preto). Lá vivia um homem muito rico, da mais alta sociedade. Ele tinha 3 filhas. Uma delas, Ricardina, de rara beleza. Entre os jovens apaixonados por ela, o mais entusiasmado era um soldado pobretão, chamado Dionísio. O pai da jovem, claro, jamais permitiria que Dionísio se aproximasse de sua filha. Mas Dionísio estava decidido a viver com sua amada Ricardina.

A oportunidade veio quando o pai da moça se envolveu em um crime e foi parar na prisão. Dionísio, então, propôs a Ricardina libertar o pai e fugirem, os três, para um lugar seguro, bem longe de Vila Rica. Aceita A proposta, os três se embrenharam em matas, atravessaram montanhas, margearam rios.

Numa noite, enquanto Ricardina dormia, seu pai desapareceu. Dionísio não conseguiu explicar o desaparecimento dele (teria Dionísio o assassinado?), mas prosseguiram viagem. Um dia, toparam com dois policiais que estavam a caminho de Vila Rica. Estes ficaram desconfiados do casal. Discutiram e Dionísio matou um deles. Ricardina apresentava sinais de fraqueza, de fadiga intensa, agravada por uma grande tristeza pelo sumiço do pai, e uma crescente desconfiança em relação a Dionísio, arrependendo-se de ter aceito tal plano de fuga. Acabou adoecendo e morreu sem chegar ao local desejado.

Prosseguindo em sua desventura, Dionísio chegou a um baixadão e ali, entre árvores frondosas e olhos d’água, montou acampamento. Com o tempo, tornou-se o local referência, ponto de parada de forasteiros. Ali, então começou a surgir uma comunidade, recebendo o nome de Dionísio. Viveu ali até quando ninguém sabe, e nada mais sabemos sobre ele.

Mas, segundo o historiador Affonso Taunay, o nome da cidade é proveniente do minerador Dionísio da Costa, “natural de Iguape e falecido em Santos (SP), com 110 anos de idade”. Na página 385, do Tomo nono dos Bandeiras Paulistas, editado em 1948, está escrito: “Capitão e juiz. Pessoa de muito respeito, eternizara o nome, porque ao princípio das descobertas em Minas tivera lavra mineral tão grandiosa que dela se tirava um aratel de ouro (cerca de meio quilo) em cada bateada, ficando o lugar denominado Dionísio da Costa, mais tarde simplesmente Dionísio. Deve ser o lugar ainda hoje assim conhecido”. (Transcrito por Pedro Maciel Vidigal em sua obra “Minha terra e minha gente”, p.209 –Gráfica e Editora O Lutador, BH, 2003.

Realmente, “será o lugar ainda hoje assim conhecido” como indaga o historiador, ou já existiu uma outra localidade com essa mesma denominação ou seria mera coincidência de nomes?

Para saber mais: Pedro Tanques de Almeida Paes Leme – Nobiliarquia Paulistana – História e Genealogia. Páginas 122 1 123. Editora Itatiaia, 5ª edição, 1980.

Luiz Prisco Braga. História do Município de São Domingos do Prata, 1946, pp. 43 a 46.

Primavera de 2020.

domingo, 31 de março de 2019

Praia Grande a Copacabana de Nova Era

Realmente essa praia existiu. Suas areias brancas, limpas, eram muito frequentadas nos fins de semana. A praia marcou época.
Localizava-se às margens do Rio Piracicaba, onde hoje é o bairro Praia Grande.
Na edição inaugural do jornal "O Papagaio" (Ano I - nº1, pp. 3 e 4), matéria de Hélio Martins, fevereiro de 1957, projetou o fim desse logradouro, único da região.
Leia a matéria, infelizmente não tenho foto da Praia Grande. Alguém Tem?

domingo, 15 de outubro de 2017

CASA DA CULTURA DE NOVA ERA



A Casa da Cultura de Nova Era, CNER, foi criada em 16 de dezembro de 1987, como sociedade civil sem fins lucrativos, pessoa jurídica de direito privado.
Sendo contribuir para a preservação do patrimônio cultural uma determinação estatutária da entidade, somada ao espírito de cidadania e sensibilidade de sua primeira diretoria diante do lamentável estado de abandono e deterioração em que o monumento Matriz de São José da Lagoa de Nova Era, tombada nacionalmente desde 1953, se encontrava, não restou outra atitude a não ser assumir sua salvaguarda.

Consequentemente foi lançada, com sucesso, o “S.O.S. Matriz de São José”, campanha de ação e conscientização. A partir daí a Casa da Cultura contratou uma empresa especializada para elaboração dos projetos de restauro, e de outras para a execução dos trabalhos. Exemplo: Grupo Oficina de Restauro, sediada em Belo Horizonte, que realizou a restauração do acervo artístico do monumento. Hoje a Matriz está totalmente restaurada. A casa da Cultura também cuida de sua conservação.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Olaria em São José da Lagoa

Não sabemos com precisão quando essa Olaria foi instalada aqui em Nova Era, nem quando deixou de funcionar. Possivelmente, entre as décadas de 10 e 20 do século passado e se localizava na “Várzea dos Pimentas”, hoje Desembargador Drumond.

Montada com máquinas modernas, importadas, a olaria foi obra de um visionário filho da terra, José Custódio Martins Quintão, vulgo Zé Quintão.

Produtos da Olaria

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Visões transbordantes


Liturgia das flores
E velas no columbário
Alforriando fantasmas:
Visões transbordantes
Em minhas retinas dardejadas.
Das frestas procuro
A trilha dos poetas
Sem encontrá-la.
No caminho, elefantes.
Pelos telhados, felinos fazem amor.
Musas copresentes iniciam
neófitos ao encantamento.
O mote é a ambiguidade,
O locus sagrado, não alcançado,
Se perde no horizonte.
Ainda se ouve amiúde
O torvelinho algoz,
Fora do espaço e do tempo.
Batem aldravas — portas não se abrem.
Pombos em revoada.
No locutório da praça,
Políticos se verbalizam
Enquanto o brilho das estátuas
Se corrói.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Fazenda Mãe d’água ou Cachoeira

A sede dessa fazenda construída num altiplano, próxima ao local onde existia uma estação ferroviária da Pedra Furada de Cima, lá permanece.
Sua arquitetura despojada era comum no meio rural, em meados do século XIX, na região.
Nela viveu Joaquim Caetano de Souza Lage, juntamente com sua mulher, Maria Raimunda de Souza e os filhos.
Joaquim era filho de Manuel Caetano de Souza e Tereza Maria da Costa Lage. Certamente, seu pai foi o primeiro proprietário da fazenda. Joaquim Caetano de Souza Lage faleceu em 29 de dezembro de 1935, aos 83 anos.
Para saber mais: Cartório do Segundo Ofício, Comarca de Nova Era, Livro de Notas nº 7. Folhas nº 17, verso a 18, verso. Translado de Escritura Pública de Permuta. Caixa nº 5, Anexo de processo nº 110. Arquivo do Fórum/Comarca de Nova Era.


Fazenda Mãe d'água                                                Queda d'água na estrada de acesso à fazenda